Potter Heaven

Amor e Outras Drogas

Cinema, Drinks Fumegantes, Três Vassouras

Título Original: Love And Other Drugs
Direção: Edward Zwick
Roteiro: Charles Randalph, Edward Zwick, Marshall Herskovitz, Jamie Reidy
Elenco: Jake Gylenhaal, Anne Hathaway, Oliver Platt, Josh Gad, Hank Azaria, Judy Greer
País de Origem: Estados Unidos
Duração: 112 minutos

Todo tipo de sinopse desse filme vai te dizer que ele acompanha a história de Jamie Randall, um homem carismático, persuasivo e mulherengo, em sua incursão pelo mundo das vendas farmacêuticas, trabalhando como representante da gigante do ramo Pfizer. Sua função é conseguir com que os médicos locais prescrevam Zoloft ao invés de Prozac, e, mesmo trazendo mimos para as recepcionistas e retirando as amostras do concorrente de todas as prateleiras que consegue alcançar, parece impossível que ele cumpra sua cota mensal e consiga entrar nas “big leagues”, em Chicago. Isso até que a Pfizer crie uma nova droga, revolucionária: o Viagra.

Quem quer que tenha visto o filme vai te dizer que ele acompanha a história de Maggie Murdoch, 26 anos e já no primeiro estágio da Síndrome de Parkinson, uma garota que teve seus ideais moldados às limitações de sua condição e que se impossibilita de viver algo além do exato instante que está vivendo. Ela encontra Jamie no consultório de um dos médicos que ele tenta conquistar e inevitavelmente atrai o rapaz; inicialmente para uma relação puramente sexual e ao longo do filme, para algo muito maior que isso.

Não é que a atuação de Jake Gyllenhall seja insatisfatória, mas seu personagem é relativamente raso até que o elemento Maggie Murdoch entre em cena. Há uma cena específica que o define com exatidão: quando ele está na cama com a instrutora do programa de treinamento dos representantes, pensativo, e ela pergunta em que ele está pensando. “Dinheiro”, ele responde. Ele vem de uma família de médicos, seu irmão já é milionário por ser responsável pela criação de um software para clínicas e hospitais e tudo o que ele fez na vida foi desistir da faculdade de medicina. A partir daí, vai de emprego em emprego – particularmente aqueles que exigem poder de persuasão e simpatia, como corretor de imóveis ou vendedor de… qualquer coisa – e vive sua vida para ganhar dinheiro e ter mais mulheres diferentes em sua cama.

E então entra Anne Hathaway, numa atuação incrivelmente sensível, maravilhosa em absolutamente todas as cenas, roubando absolutamente todas as cenas, protagonizando o filme muito mais que o Gyllenhall poderia sonhar em fazer. Faz muito sentido que o Amor venha primeiro no título; o plano de fundo da indústria farmacêutica e o surgimento do Viagra surgem no filme apenas como elementos que conduziram o personagem ao momento em que ele conheceria Maggie e teria sua vida completamente modificada. Os momentos mais inspirados de Jake como Jamie são exatamente aqueles em que ele se dá conta de como a vida de Maggie é uma constante luta, e quando ele decide que quer fazer parte dessa luta.

Oliver Platt (O Homem Bicentenário, 2012) traz uma personalidade interessante para o chefe de Randall, Bruce, e sua dedicação sem limites à companhia que nunca lhe dá valor é o mais perto que o filme chega de realmente discutir a problemática das grandes empresas farmacêuticas (já que a apresentação da Pfizer é arrebatação e fogos de artifício); e Josh Gad (Quebrando a Banca) dá vida ao peculiar irmão mais novo de Jamie com uma característica vulgaridade que acaba gerando simpatia.

Baseado no livro Hard Sell: The Evolution of a Viagra Salesman, o roteiro é simples, se desenrola com fluidez e encontra atores de qualidade em praticamente todas as pontas para torná-lo um bom roteiro (mesmo que Hathaway praticamente domine a projeção), apesar de permitir apenas uma vaga percepção da passagem de tempo no enredo. O filme tem planos cuidadosos e uma fotografia agradável, principalmente em retratos mais frágeis da personagem de Anne, e conta com uma trilha sonora deliciosa, que se encaixa muito confortavelmente em todas as cenas.

Em suma, é um bom filme, que poderia ser absolutamente superficial, mas mostra um toque muito humano em quase todos os momentos, que produz bons sentimentos e traz boas lições – muito como seus protagonistas.

Aretha
é colunista e tradutora da PH e indecisa em vários aspectos da própria vida.

Comentários

Um comentário

Tianisa
2 de março de 2011 às 20:39

Rá! Assim dá até mais vontade de assistir :)