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PERFIL + ARQUIVO

Três Vassouras

A Potter Heaven inaugura, neste ano novo, o Três Vassouras. É um projeto que estava na gaveta já há algum tempo e finalmente ganhou força.

Convidamos e selecionamos pessoas com interesse em cultura geral – cinema, literatura, música, televisão – para abrir uma nova área no site. Harry Potter continua sendo o nosso foco, mas agora você vai poder conferir resenhas e indicações de outras áreas de interesse aqui mesmo na Potter Heaven.

Todo dia teremos alguma coisa por lá, então entre, reserve uma mesa e pegue o menu. O Três Vassouras tem tudo sobre tudo.

Cinema, Drinks Fumegantes, Três Vassouras

Percy Jackson e o Ladrão de Raios

postado por Felipe Andrade    em domingo, 7.03.10    às 14:11

Título Original: Percy Jackson and the Lightning Thief
País de Origem/Ano de Lançamento: EUA,2010
Duração: 119 min
Gênero: Aventura / Fantasia
Direção: Chris Columbus
Roteiro: Craig Titley, Rick Riordan (livro)
Elenco: Logan Lerman, Sean Bean, Kevin McKidd, Steve Coogan, Catherine Keener, Pierce Brosnan, Uma Thurman, Rosario Dawson, Brandon T. Jackson, Alexandra Daddario

É difícil escrever sobre uma adaptação de um best-seller para os cinemas. As opiniões sempre ficam divididas entre os que gostaram ou não. Normalmente os grandes estúdios ficam felizes quando pelo menos metade dos espectadores ficam satisfeitos com o filme. O problema é quando a maioria deles é formada por fãs do determinado livro e que saem dos cinemas revoltados com o que viram nas horas anteriores. Acreditem, essa cena tem se repetido por todos os cinemas que passo, e deve estar se repetindo pelo mundo todo também, com os fãs da série sobre mitologia grega Percy Jackson e os Olimpianos.

Primeiro vamos ao livro. Apesar de possuir uma narrativa de certa forma infantil e simples, o livro possui uma trama muito interessante e amarrada. Reviravoltas não faltam na história e a tensão é mantida do primeiro capítulo até o último. Claro que certos mistérios são meios óbvios de serem resolvidos, mas a história não perde sua força por isso. Pelo contrário, os leitores ficam ainda mais ávidos para descobrir o por que de certa profecia dizer algo tenebroso ou o por que de alguém ter de trair os amigos. A série foi tão bem recebida em todo mundo que Rick Riordan, autor da séries de cinco livros, já pretende lançar outro livro com a temática de mitologia grega e seguindo a mesma direção de Percy Jackson! Até agora, só os quatro primeiros livros foram lançados no Brasil pela Editora Intrínseca. O último tem previsão de ser lançado até o fim do primeiro semestre de 2010. É impossível não concordar que um filme adaptando a série seria um sucesso de bilheteria, como Harry Potter ou As Crônicas de Nárnia. Mas isso não aconteceu com Percy Jackson.

Se o livro possui uma trama amarrada, complexa e, acreditem, muito fácil de se adaptar para o cinema, o filme se tornou uma história fútil, cheia de furos, e mais um filme de comédia do que uma aventura fantástica. Fui na pré-estréia do filme e ontem fui ao lançamento do quarto livro (A Batalha do Labirinto) com o Fã-Clube da série, e posso dizer que muitos fãs estão querendo “matar” Chris Columbus, o diretor desse primeiro filme, pelo o que viram nos cinemas. Lembrem-se que Chris foi o responsável pelos dois primeiros filmes de Harry Potter, que foram um dos mais lucrativos da história do cinema! Porém, como discutido ontem por alguns fãs mais calmos, o problema não foi Chris Columbus, mas sim o roteirista Craig Titley que, ao receber o trabalho de adaptar o primeiro livro, pegou somente a base mais simples da história e criou outra completamente diferente por cima. Personagens foram cortados (inclusive o vilão da série), deuses foram mudados de lugar na história e muitos personagens tiveram suas personalidades mudadas! Sem falar no fato de que, no primeiro livro, Percy Jackson tem entre 11 e 12 anos, e no filme ele aparece com 16!

Sei que quem não leu os livros e não conhece a série deve estar se perguntando quem é Percy Jackson ou quem são esses deuses que falei. Bom, a base da história, tanto do livro, quanto do filme, é contar a história de Percy Jackson, uma garoto desléxico e com déficit de atenção que descobre que é filho de um Deus do Olimpo. Sim, na série, os Deuses do Olimpo ainda vivem entre nós e, de tempos em tempos, descem à Terra onde têm relações com mortais, deixando possíveis filhos, os chamados meio-sangues ou heróis. Ao descobrir que é um semi-deus, Percy Jackson vai parar no Acampamento Meio Sangue, uma espécie de Hogwarts, onde os meio-sangues são treinados para enfrentar os monstros e perigos mitológicos espalhados pelo mundo. Porém, nesse meio tempo, o raio supremo de Zeus é roubado misteriosamente, causando discórdia entre os deuses e podendo desencadear uma possível guerra caso não seja devolvido. E Percy é exatamente o primeiro suspeito de ser o Ladrão de Raios. Então, com a ajuda de Annabeth, filha de Atena e Grover, um sátiro, ele sai em busca do tal Raio de Zeus para recuperar a paz ao seu mundo. Só por essa enorme sinopse vocês já tiram o quanto a história é complexa! E isso não é nem metade do que é contado nos livros! Porém no filme, tudo é cortado e uma jornada completamente diferente é criada para mostrar a busca de Percy pelo raio de Zeus.

Apesar de tudo que disse, nós também devemos ver o filme com os olhos de uma pessoa leiga que nunca leu nenhum livro da série, já que muita gente vai ver sem saber do que se trata. E por mais que eu tenha criticado o filme até agora, ele funciona muito bem como um filme isolado. É divertido, tem ótimas cenas de ação e é muito mais bem produzido do que eu pensei que seria. Crédito, é claro, de Chris Columbus, que dirigiu bem o filme e conseguiu deixá-lo ágil e com cara de filme família, como fez com Harry Potter. Claro que o roteiro tem muitos furos, porém o longa funciona para entreter famílias e trazer possíveis novos fãs para a série. Os efeitos especiais, que achei que não seriam bons, têm um nível de qualidade muito bom, que dá ao filme um ar mais real (o Mundo Inferior ficou incrível). O humor é muito forte durante as duas horas do filme. Destaque para Grover, interpretado por Brandon T. Jackson, que se tornou o personagem com a função de inserir uma piada sempre que a trama fica tensa. Ficou um pouco comédia demais, mas diverte. Para quem não assistiu ainda, destaco também Poker Face de Lady Gaga que toca na cena do Cassino Lótus e que virou a música tema do filme para os fãs, além de  se tornar o comentário no cinema! ♫ Mah Mah Mah Mah ♫ (Não resisti… :-p)

Enfim, a única coisa que posso dizer é o seguinte: Se você nunca tiver lido o livro, vá ver o filme pois é quase certo que pelo menos você vai se divertir e dar boas risadas. Se você leu o livro e ainda não assistiu, sugiro que vá ver mesmo depois de tudo que falei (eu vi duas vezes na mesma semana, e não morri. Você vai sobreviver mesmo se não gostar do filme). Confesso que a revolta vai ser um pouco grande pra quem tem um carinho pela série, mas vale a pena para ver o resultado e, como falei, pela diversão que o filme consegue trazer. Cabe a cada um decidir e, após o filme, analisar e tirar suas próprias conclusões. Quem já tiver visto, comente o que achou do filme. Quem não viu mas ainda vai ver, volte aqui depois e comente o que achou! Pois, assim como a maioria das adaptações de livros para o cinema, Percy Jackson pode gerar ainda muita discursão.

Destaque, Filmes, TV

Harry Potter no Carnaval 2010!

postado por Pedro Henrique    em domingo, 14.02.10    às 22:25

Provavelmente, muitos devem estar se perguntando sobre o título desta notícia. Pois bem. Esse ano, a escola de samba Salgueiro vai contar com uma participação muito especial.

A alegoria do carro do Salgueiro vai representar o xadrez bruxo neste carnaval. Além disso, o Salgueiro vai contar com outros personagens da literatura, a saber, a Emília do Sítio do Picapau Amarelo, Sherlock Holmes, Pinóquio, entre outros.

Para quem quiser conferir, o desfile vai ao ar entre 1h20 e 2h28, no canal de TV Aberta Rede Globo.

Cinema, Petiscos Quase Quentes, Três Vassouras

Dúvida

postado por kadichari    em segunda-feira, 8.02.10    às 1:40

Título Original: Doubt
Ano de Lançamento: 2009
Direção: John Patrick Shanley
Roteiro: John Patrick Shanley
Elenco: Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams
Duração: 104 minutos
País de Origem: EUA

Existem alguns atores e atrizes em quem eu confio cegamente, como Kate Winslet, Sean Penn, Glória Pires (vide a crítica de Lula, O Filho do Brasil), e alguns outros. Tais indivíduos tem o poder de me fazer esgueirar por qualquer cinema, sala de estar, bingo, quarto ou chão que me permitam presenciar sua atuação. Em absolutamente qualquer trabalho, essas pessoas conseguem cativar (de novo, vide a crítica de Lula).

E aí, no topo de todos esses (junto com Fernanda Montenegro, mas isso é outra história), está Meryl Streep. Mesmo no muito mais ou menos Julie e Julia, ou no péssimo Mamma Mia!, Meryl rouba a cena em absolutamente todos os momentos em que aparece. Em números, é indicada ao Oscar, muito merecidamente, por aproximadamente 37% dos seus trabalhos e esse ano conseguiu ganhar de si mesma no Globo de Ouro: foi indicada duas vezes na mesma categoria.

Então, eu comecei a ver Dúvida sabendo que, mesmo que não gostasse do filme, a oportunidade de ver Meryl atuando, por si só, pagaria o “tempo perdido” – e, devo dizer, que delícia que é quando esse pensamento se transformou no “Uau!” que eu carreguei quando o filme acabou. Não é um só filme bom: é um filme espetacularmente trabalhado, em cada um dos atores e seus personagens, em cada uma das muitas de suas nuances.

O filme se passa numa escola católica da qual a freira interpretada por Streep é a diretora. Inicialmente, três imagens são construídas: a da Irmã Alouysius Beauvier, diretora, extremamente rígida e tradicional, que defende o respeito incondicional que os estudantes tem de ter pelas professoras-freiras (mesmo que, como a própria personagem ressalta, esse respeito seja fundado no medo); o Padre Brendan Flynn (Philip Seymour Hoffman, também ótimo), um dos padres da cúpula da escola, à qual responde a Irmã Beauvier, em nome do grupo de freiras, um homem bondoso, que prefere criar amizades com seus alunos à aterrorizá-los, que defende que a escola deveria adequar-se a ideais mais liberais; e a Irmã James, apenas uma discípula da diretora, muito calma, boa, idealista, que fica dividida entre os ideais da Irmã e do Padre.

E aí o filme traz uma cidade de 1964, onde escolas católicas rígidas ainda eram muitíssimo respeitadas, mas exatamente a época, bem traduzida pelo conflito dos dois personagens principais, em que a sociedade começava a questionar o tradicionalismo, e põe em cheque a credibilidade de tudo aquilo.

Quando o roteiro se estabelece, aparece o perturbador da paz, o aluno negro Donald Miller. Veja bem, no contexto da época, um aluno negro (o primeiro da escola), era um grande atrevimento da diretora. Brancos não gostavam de negros, e ponto. Existia a previsão de que ele não se adaptaria. Não faria amigos. Se envolveria em brigas, seria um saco de pancadas. Então há a instrução para que irmã James, professora do menino, mantenha um olho nele.

Sabe-se que o Padre Flynn protege o menino de seus colegas, e um dia, ele o chama à sua sala durante a aula e o menino volta com hálito alcoólico. No dia seguinte, a professora vê o padre colocar uma camisa dentro do armário de Donald, discretamente.

Não existem provas. Não existem testemunhas. A Irmã Alouysius Beauvier, porém, tem certeza de que o menino está sendo abusado. E ela não tem receio de enfrentá-lo.

Questionando não só valores religiosos e morais, mas também coisas como a impunidade com que a cúpula católica cobre seus padres criminosos, mulheres que resolvem afirmar-se como seres pensantes, questões raciais e, enfim, muitas dessas questões que ainda enfrentamos hoje, o filme provoca de toda maneira possível. A conversa da diretora com a mãe do aluno provavelmente abusado ilustra isso – e é uma das melhores cenas do filme. E se o menino gostar do homem? E se for a única opção dele? E se ele for o único que é bom para o menino?

E você olha para aquela mãe, e não há como discutir com aquilo. Não é mais válido achar que o padre, se tiver feito o que se supõe que fez, está errado, do que achar que a mãe dele está certa, e que todo o império de certeza da irmã não faz muito sentido além de machucar e desorganizar o mundo daquelas pessoas.

Mas fica difícil descartar o fato de que o menino é só um menino, mesmo negro e pobre numa sociedade em que nenhuma das duas classes é minimamente respeitada; mesmo em 1964, o menino é só um menino. E se a irmã, mulher e freira, numa sociedade em que não se permite que nenhuma das duas classes levante uma palavra contra o homem superior, pode peitar essa autoridade e buscar justiça, por que a situação do menino não pode ser diferente?

E se o padre realmente for só amigo do garoto?

Não dá pra aceitar essa dúvida. Principalmente porque fazemos – o filme provoca isso – uma analogia com o presente, os nossos dias. E, nossa, não muda muita coisa: a igreja protege praticamente todos os padres pedófilos, estupradores, criminosos mesmo; as freiras servem apenas para dar bons exemplos, não tem voz; os negros não são mais bem respeitados e muita gente prefere não denunciar abusos quando ele vem acompanhado de algum ‘bem’.

Bem, a única coisa de que não tenho dúvida é de que esse filme é maravilhoso, cheio de grandes atuações e grandes sacadas, e que vale muito a pena.

Literatura, Sobremesas Geladas, Três Vassouras

O Pistoleiro

postado por pablojan    em terça-feira, 2.02.10    às 22:54

Subtítulo: A Torre Negra
Autor: Stephen King
Tradutor: Mario Molina
Ano: 2004 (mais recente versão atualizada pelo autor)
Editora: Objetiva
Nº. de páginas: 224

“O homem de preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás.” Esta é a frase que abre a obra-prima do escritor norte-americano Stephen King. O Pistoleiro é o primeiro dos sete livros da tão aclamada série A Torre Negra. Este foi o segundo livro do escritor que li (para constar, o primeiro foi O Iluminado) e, pela segunda vez, não gostei do trabalho do autor. Até achei que havia algo de errado comigo. Gosto de histórias de terror. Ele é o mestre do terror. Pensei que seria o encaixe perfeito. Não foi, entretanto.

O volume um da supracitada série narra o início da busca do pistoleiro Roland Deschain pela Torre Negra, lugar que rege o tempo e o espaço e onde se encontra a salvação para o mundo do pistoleiro, que está em decadência. Roland crê que um homem (o homem de preto, como ele o chama) possui informações que possam auxiliá-lo em sua busca até a almejada Torre. A maior parte da trama se desenrola no deserto deste mundo que está irreconhecível e vazio. Na sua implacável jornada, ele se depara com amigos, inimigos e situações inesperadas e desesperadoras. A Torre Negra se torna o sentido de sua vida. Sua obsessão.

Ao escolher este livro na biblioteca confiei mais na reputação do autor do que nos elementos que compunham a trama. Confesso que aventuras ancoradas em desertos com atiradores não me atraem. Contudo, permitindo-me uma observação fria e não-tendenciosa, notei que havia ali vários ingredientes para uma leitura, se não agradável, interessante. Stephen King nos aborda com uma introdução onde explica mais sobre a série. Confesso que fiquei bastante interessado pelo fato de ter levado quase 50 anos para a conclusão da saga. A introdução instigou-me a ler o livro. Trouxe-o para casa.

Durante grande parte da narrativa, o autor nos apresenta uma escrita presunçosa, filosófica e monótona. Perder-se na história não leva menos do que um parágrafo e não é fácil interessar-se pelos personagens. Eles são tão misteriosos e maçantes quanto o mundo em que vivem. Sendo o primeiro livro de uma série, notei que esta é uma obra que King fez, inconscientemente ou não, para si mesmo no auge de seus 19 anos. À época, ele estava impregnado de O Senhor dos Anéis, obra que foi a base e inspiração para a criação de sua própria aventura. Presumo que, conseguintemente, ele tenha voltado o foco da história mais para os leitores e menos para si, o que definitivamente é algo positivo.

Há raras partes em que alguma ação de fato ocorre. Roland cai em armadilhas deixadas ao longo do caminho pelo homem de preto. É quando ele tem que ser rápido e não vacilar no manejo das pistolas. Fica-se claro que ele é um exímio pistoleiro, um dos melhores e um dos últimos que restam no extenso e vazio mundo paralelo. Há indícios de intersecção entre nosso mundo e o de Roland, o que pode ser um fator para fazer a trama se mover e se tornar interessante. Todavia, isso não passa de especulação de minha parte. Não interessei-me a ir em busca dos próximos livros, que ficam mais e mais grossos à medida que a série vai de encontro ao seu fim. Levando isso em consideração, atenho-me a criticar o pouco que sei dos livros como um todo.

E, como é de praxe, antes que eu entregue mais desse intrincado livro ou percorra parágrafos com teorias e críticas desnecessárias (e certamente negativas), finalizo a resenha de um dos livros que mais desgostei até o presente momento. Quase que contraditoriamente, recomendo que leiam o livro e tirem suas próprias conclusões, não se deixem influenciar pelo resenhista que vos escreve.

Música, Petiscos Quase Quentes, Três Vassouras

R.E.M Live at The Olympia in Dublin

postado por Mrs. Black    em terça-feira, 2.02.10    às 2:25

Gravadora: Warner Bros
Gênero: Rock Alternativo
Lançamento: 27 de Outubro de 2009
Produtor: Jacknife Lee

R.E.M, não estou me referindo ao estágio do sono, ainda que o nome da banda seja referência a isso . Em 1980 Michael Stipe, Peter Buck, Mike Mills e Bill Berry davam forma a banda que seria um dos maiores sucessos da década de 80. Como a maioria das bandas eles começaram tocando em bares, restaurantes e festas. Porém foi em 1982 que o R.E.M começou a ter uma boa aceitação com o EP “Chronic Town” e apenas um ano depois o primeiro álbum deles, “Murmur”, foi eleito Álbum do Ano. Essa história pode não lhe ser familiar, mas a música “Losing My Religion” de alguma forma você já ouviu falar.  Além de ser parte do álbum de maior sucesso da banda, ainda faturou dois Grammy Awards.

Apesar de ser uma banda de grandes hits o seu último lançamento não trás seus sucessos.  “R.E.M Live at the Olympia in Dublin” é o CD duplo que acompanha o DVD “This is Not a Show “ (não disponível no Brasil). O CD contém ensaios gravados durante cinco noites em Dublin diante de grandes platéias. Porém o diferencial não é o fato de ser uma gravação de ensaios, mas que a grande maioria das músicas apresentadas são aquelas não tão famosas da banda sem contar as que ainda estavam sendo desenvolvidas pro próximo álbum, “Accelerate”, que na época ainda não havia sido lançado.

Ao mesmo tempo em que o diferencial do CD é o fato de se ter versões ao vivo de músicas não tão freqüentes nos shows, isso acaba se tornando um fator negativo.  Você passa o tempo todo esperando por aquele grande momento onde a banda apresenta seus grandes sucessos e o público vibra cantando junto, mas esse momento não chega. Eu curti o álbum por que já gostava do R.E.M não importando que tipo de músicas eles estão tocando, mas pra quem não é fã se decepciona um pouco.

Quando eu ganhei o CD fiquei super animada, afinal é o R.E.M não teria como eu não gostar, de fato eu gostei mas faltou o algo a mais que nós geralmente procuramos. Quando você chega ao fim do álbum você se pergunta cadê “Shinny Happy People”, “Man On The Moon”, ”Imitation Of Life” e principalmente “Losing My Religion”? Aquelas que são o abre alas deles.

Entretanto é inegável o quanto difícil é para uma banda lançar um álbum de não inéditas e ainda por cima composto em grande parte pelas músicas mais excluídas, digamos assim, da sua longa carreira e conseguir mostrar quem eles são. Não é pra qualquer um e sem dúvida o R.E.M tem potencial pra isso.

Por mais que eu adore o R.E.M e me empolgue com todos os trabalhos deles eu tenho que dizer que se você não conhece a banda direito o “Live at the Olympia in Dublin” não é uma boa pedida. O CD deixa a desejar e não mostra o que eles têm de melhor. Porem se você quer conhecer eles de verdade nada como ouvir “Out Of Time” e “Automatic For The People”.

Música, Petiscos Quase Quentes, Três Vassouras

The Killers – Live From The Royal Albert Hall

postado por dyegogomes    em terça-feira, 2.02.10    às 0:42

O primeiro registro em DVD e Blu-Ray de uma apresentação ao vivo da banda norte americana The Killers chegou às lojas brasileiras no início do mês de dezembro, acompanhado por um CD, também ao vivo.

A banda, criada em 2003 em Las Vegas, ficou conhecida mundialmente em 2004, quando o sucesso Somebody Told Me foi uma das músicas mais executadas naquele ano.

O show, gravado nos dias 5 e 6 de julho de 2009, na lendária casa de shows londrina Royal Albert Hall, apresenta um repertório semelhante ao que a banda tocou no show feito em sua última passagem pelo Brasil, em novembro de 2009.

A apresentação conta com 26 músicas dos três álbuns da banda, e contou com seus maiores sucesso: Mr. Brightside, Smile Like You Mean It, Bones e Spaceman.

Talvez o grande diferencial desse show seja a proximidade entre banda e público, fazendo desse um show mais . O palco é pequeno, assim como a casa de show escolhida para gravação. Em alguns momentos da performance, o enérgico vocalista Brandon Flowers chega a cantar em meio aos fãs, tamanha proximidade do público com os artistas.

O DVD traz como extra um pequeno e intimista documentário, com depoimentos de fãs, da equipe da banda e dos próprios integrantes acerca da gravação desse show. Cinco apresentações da banda em festivais musicais e um pequeno vídeo mostrando a visão que os fãs têm do show também estão presentes como bônus.

Abaixo, o vídeo da música Human, que inicia o show:

Pra quem é fã ou pra quem deseja conhecer melhor o trabalho do The Killers, o DVD é um prato cheio, com uma performance arrebatadora da banda.

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Cinema, Drinks Fumegantes, Três Vassouras

Harry Potter – Ultimate Editions

postado por Felipe Andrade    em segunda-feira, 1.02.10    às 11:44

Na minha opinião, para os fãs da série, esse foi o lançamento do ano. Quem entende do assunto, sabe que a experiência em ver um filme em Blu-ray é altamente satisfatória. A qualidade de som e de imagem são estupendos, fazendo os filmes se tornarem ainda mais prazerosos de serem vistos. Não seria diferente com os filmes de Harry Potter. Claro que todos os filmes já existem em Blu-ray a mais tempo, porém, faltava um lançamento a altura da série. Foi aí que surgiram as Ultimate Editions. Elas nada mais são do que os filmes em duas versões: Original e estendida com, as já conhecidas, cenas deletadas. Além do filme, tembém temos um enorme documentário que será dividido em oito partes, sendo que cada parte virá em uma edição das Ultimate Editions.

Bom, não tenho o que comentar dos filmes. A Pedra Filosofal e A Câmara Secreta não são os filmes preferidos da maioria dos fãs, que dizem serem filmes lentos e infantis demais. Tudo bem, A Pedra Filosofal realmente tem um alto tom de filme infantil, porém A Câmara Secreta é, na minha opinião, uma das melhores adaptações da série. O clima criado para o filme ficou muito bom! Adoro o mistério, o suspense que paira Hogwarts. Apesar de não ser o meu livro favorito, acho esse filme uma adaptação altamente satisfatória. Sem falar que acho que Chris Columbus conseguiu fazer, tanto no primeiro, quanto no segundo, Hogwarts do jeito que eu imaginei ser, comportada, mágica, como é mostrada noos filmes, e não aquela Hogwarts rebelde, selvagem e adolescente que Cuáron bruscamente transformou em O Prisioneiro de Azkaban. Mas não falemos das adaptações. Eu falo do terceiro filme quando a sua respectiva Ultimate Edition for lançada.

Se você comparar as edições americanas com as brasileiras, vai notar a grande diferença entre as duas. A primeira tem um tratamento de primeira, com embalagem de alta qualidade, impressão muito boa, e incrivelmente linda. A brasileira, apesar de também ser bonita, está com um material inferior e não possui a mesma beleza. O conteúdo é o mesmo, porém, a apresentação mudou. Sem falar que no Brasil as edições não foram lançadas em Blu-ray, apenas em DVD, o que foi uma baita falha, já que o Blu-ray a cada dia que passa, garante cada vez mais espaço no mercado.

Os filmes estão em ótima qualidade, com som impecável e imagem perfeita. O disco do documentário possui, além do documentário, trailers e TV spots, que eu particularmente adoro ver, e alguns Screentests. É um material bem interessante. Já os outros extras, para a minha surpresa, não vêm em blu-ray. O terceiro disco é na verdade o DVD duplo das edições já lançadas anteriormente aqui no Brasil, com nenhum extra a mais. Achei que deviam ter pelo menos transferido para o blu-ray! Mas tudo bem, continua tudo muito lindo!

Para terminar, eu fiz um vídeo mostrando as edições para vocês com todos os detalhes e explicando algumas coisas também. Lembrando que só A Câmara Secreta tem áudio e legenda em português viu? Se alguém quiser comprar a versão americana do primeiro filme, vai ter de se virar ou com o inglês ou com o espanhol, infelizmente.

Espero que tenham gostado do vídeo. Acho que muitos fãs estavam curiosos para ver essas edições. Quando as outras forem lançadas eu faço outros vídeos para mostrar a vocês também! :-)

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Ligeiramente Grávidos

postado por kadichari    em domingo, 24.01.10    às 20:45

Direção: Judd Apatow
Elenco: Seth Rogen, Katherine Heigl, Paul Rudd, Debbie Mann
Ano: 2007
Duração: 129 min

Confesso que a minha única motivação para assistir ao tal do Knocked Up foi a perspectiva de ver Katherine Heigl fora de Grey’s Anatomy e Paul Rudd fora de Friends. De maneira alguma eu esperava que o filme fosse além de entretenimento leve e apelativo – não que o enredo não seja um clichê das comédias românticas, ou que a atuação de Katherine passe de mais ou menos, mas…

O filme tem como base a relação dessas duas pessoas (Heigl como Alison Scott e Rogen como Bem Stone) completamente diferentes – ela, uma apresentadora de TV, num canal de entretenimento, independente e séria; ele, um desocupado que vive do dinheiro da indenização que recebeu ao ser atropelado alguns anos antes, morando numa república com um monte de amigos, fumando maconha, enquanto montam um site cuja premissa é dizer que atrizes ficam nuas (total ou parcialmente) em quais momentos de que filmes. Pessoas que não teriam nada em comum e muito provavelmente nem passariam tanto tempo juntos, não fosse uma noite bêbada e uma gravidez.

A personagem de Katherine, vendida como ‘a responsável’ do casal, não tem atrativos além da beleza. Não tem mais inteligência ou sensatez que o normal, então não se difere muito de nenhuma das personagens femininas de comédias românticas. Em alguns momentos, na verdade, ela toma decisões bem burras (uma das duas coisas que me deixaram muito incomodada no filme: que a protagonista realmente acredite que pode ser demitida se revelar aos seus chefes que está grávida – afinal, mesmo que você seja apresentadora de TV, existe algum tipo de lei sobre não demitir uma mulher grávida por causa de suas gravidez e de lhe dar algum tempo de férias remuneradas assim que o bebê nasce; algo como licença à maternidade, não?); então, não, ela não é o personagem a se destacar aqui.

O nível dos diálogos se mantém alto, algo praticamente impossível de se encontrar em comédias em geral. O mais memorável nessa importância dos diálogos é que Apatow (de O Virgem de 40 Anos) se vale muito daquela máxima das aparências que enganam: então tem Seth Rogen. Perfeito no papel do bobão que nunca fez nada importante na vida, mas que acaba tendo mais noção de responsabilidade que qualquer outro no filme. Articulado e sensível, exceto pelos momentos chapados (que incluem a noite em que engravidou a protagonista), o personagem é quem nos puxa para dentro da história, é quem reúne as cenas mais marcantes em torno de si.

Daí se destacam a trupe de amigos de sua República, que tem mais ou menos o mesmo perfil de desocupados sem dinheiro empenhados na construção do site pornô, que acabam, junto com o marido infeliz da irmã da protagonista, sendo o ponto de conflito: para Alison, eles e suas incompetências refletem a verdadeira personalidade de Bem, o que mostra que ele não está (como seus amigos) e provavelmente nunca estará (como seu cunhado) pronto para ser pai, marido e família de alguém (mais uma prova de que a protagonista não tinha muito bom senso, porque o tempo todo ele se mostra muito mais animado e preparado do que ela, de longe).

O momento ‘decisivo’ do filme, quando ele mostra que realmente tem algo a dizer sobre a humanidade e o amor (haha) é quando a irmã quase-tão-insuportável-quanto-a-protagonista Debbie (Leslie Mann) descobre que o marido, Pete (Paul Rudd), mentia dizendo que tinha que trabalhar até tarde quando na verdade ia jogar “Fantasy baseball” com os amigos: é quando o casal grávido, já bem irritado um com outro com todas as coisas que casais grávidos tem de fazer e lidar, se divide para defender os idéias um de Debbie (ela) e um de Pete (ele), e, entre brigas no carro, livros sobre bebês, e uma viagem a Las Vegas com cogumelos alucinógenos, temos as discussões mais relevantes do filme.

Em alguns momentos, a piada do “sexo, drogas e rock’n’roll” se excede um pouco (como na cena estúpida da conjuntivite), e existem muitas cenas absolutamente sem propósito no meio do caminho, algumas personagens extremas demais – não passa, no fim, de uma comédia romântica, portanto todos os casais ficam juntos e felizes no fim; mas o filme vai um pouquinho além de montar casais felizes. É muito mais verossímil que isso.

É um entretenimento leve com um pouco mais de qualidade que o normal. Recomendo.

Cinema, Drinks Fumegantes, Três Vassouras

Um novo Holmes

postado por Mrs. Black    em terça-feira, 19.01.10    às 1:43

Diretor: Guy Ritchie
Duração: 128 min
Elenco: Robert Downey Jr, Jude Law, Rachel McAdams, Mark Strong
Gênero: Ação/Aventura
País: EUA
Roteiro: Michael Robert Johnson, Anthony Peckham

Não querendo usar o mesmo tema da minha colega Luciana, mas ao mesmo tempo incontida pelo furor de ter acabado de sair do cinema eu resolvi escrever também sobre o novo Sherlock Holmes. Principalmente por que o filme ainda ta fresco na minha mente.

A certeza que fica é que Guy Ritchie acertou errando. Apesar de eu não ser fã do detetive nem ter lido os livros (talvez eu nem seja a pessoa certa pra escrever sobre o filme) eu sei que ele não faz o tipo interpretado, de forma brilhante, por Robert Downey Jr. Ao repaginar o personagem, o diretor concedeu um lado irônico, jovial e mais atlético digamos assim a Holmes. Porém manteve o mesmo brilhantismo na forma de deduzir seus casos, trazendo momentos em que você chega a se perguntar se esse brilhantismo não é fantasioso demais.

Quanto a John Watson segue a mesma linha de Holmes usando muito mais sua força nos raros momentos em que seu parceiro parece voltar aos “velhos hábitos”. Não sei se pelo fato de eu não ter lido os livros e ter apenas na cabeça o bordão “elementar meu caro Watson”, eu imaginava o doutor jovem mesmo e como um eterno aprendiz de Holmes e é essa a imagem que Jude Law aparenta inicialmente. No entanto com o decorrer do filme você acaba se deparando com Watson aconselhando e até mesmo dando sermões em Holmes.

Agora vem a parte que eu vou apanhar dos fãs. Quando vi no elenco Rachel McAdams para o papel de antigo affair do detetive eu gostei bastante (confesso que muitas vezes um filme me atrai pelo elenco). Já Kelly Reilly (Mary Morstan) eu não tinha muito o que esperar, ao final do filme eu achei que a única química que rolou foi entre Sherlock e Watson. Tiveram certos momentos que eu acreditei que a noiva do doutor podia ter algo haver com a trama e terminei o filme ainda me perguntando o que o Watson viu na Mary?

Ainda na questão das mudanças no comportamento original do detetive ouvi muitas pessoas criticarem o filme, até mesmo algumas que se recusam a assisti-lo. Porém a adaptação caiu bem nos atores e pro filme em geral que arranca grandes risadas com as tiradas de Robert Downey Jr nas quais mereceram o Globo de Ouro que ele recebeu recentemente. È inegável também a ótima atuação de Mark Strong como Lorde Blackwood.

Quanto à trama por trás da história eu diria que ela é digna de Sherlock Holmes, muito bem amarrada e muito bem contada.

Na falta de motivos suficientes pra você assistir o filme ainda podemos acrescenta trilha sonora. Mais uma vez Hans Zimmer demonstrou seu talento com belas composições que caíram perfeitamente para o clima do filme.

Então, por mais que você esteja revoltado com as mudanças no Sherlock Holmes ou se você acha um crime o personagem de Sir Arthur Conan Doyle curtir boxe, o filme mesmo assim vale à pena, tente encarar como outro detetive que você vai acabar se divertindo. Agora caso você nem conheça a série (acho difícil) vai curtir ainda mais.

Cinema, Drinks Fumegantes, Três Vassouras

Lula, O Filho do Brasil

postado por kadichari    em domingo, 17.01.10    às 16:11

Direção: Daniel Tendler, Fábio Barreto
Elenco: Rui Ricardo Dias, Glória Pires
Ano: 2010
Duração: 130 min

“Trabalhador não é de esquerda e muito menos de direita,” diz a versão cinematográfica do presidente.

O filme começa com Dona Lindu (Glória Pires), grávida de Lula, com seus seis outros filhos, na porta de casa, observando o pai deles, seu marido, sair de casa rumo a São Paulo com sua amante. Em uma das poucas cenas esteticamente interessantes do filme, somos apresentados às três principais premissas do filme: que Aristides (Milhem Cortaz) é quase cruel com sua família, um péssimo pai; que nenhum dos irmãos de Lula tem voz, expressão, ou sentimentos, e que o filme não é sobre a personagem de Glória Pires, mas é como se fosse, porque basta um olhar dela e não sobra mais ninguém na tela.

Primeiro sinal de alerta: depois do parto de Luiz Inácio, uma confusão de espaço e tempo preenche a tela por minutos intermináveis que deveriam nos dar a idéia de que Lula está crescendo com sua família, mas que apenas tem o efeito de confundir o espectador. Numa série de cenas soltas que não se interligam, Fábio Barreto nos mostra a que veio: um filme puramente comercial de baixa qualidade, que não se encaixa direito no rótulo de cinebiografia que traz.

É chocante como o sertão é amenizado: nenhuma menção a como a vida lá era estupidamente difícil, em que nada que se tem é o suficiente para os oito filhos, em que se passa fome e sede periodicamente, em que sol e terra se misturam numa massa quente, rachada, triste; então quando Jaime (um dos únicos dos irmãos que participam do filme ativamente) escreve uma carta em nome do pai Aristides, pedindo que a mãe se junte a ele em São Paulo, o filme torna difícil entender porque Dona Lindu foi, sem hesitar, mesmo provavelmente guardando uma mágoa inominável do marido.

E o diretor insiste em representações rasas da realidade durante o filme todo: a viagem de pau-de-arara de Pernambuco a São Paulo passa fácil, com um enterro na beira da estrada e a duração do trajeto (13 dias e 13 noites) artificialmente em destaque tentando representar a dificuldade, sem sucesso; a vida em São Paulo – entre escola, curso no SENAI, emprego, e além – não parece ser tão difícil: exceto pelos momentos de “Cadê a minha cana?!” do pai, uma enchente jogada no meio do filme (nenhuma cena sequer menciona a inundação depois que ela acontece: reconstruir casa? Recuperar roupas, eletrodomésticos, móveis? Nada.), e a morte da primeira esposa, a vida de lula é retratada como uma vida pobre, mas razoável, em que não falta nada, apesar de não sobrar.

A infância do Lula do filme foi chata, sim; um pai bêbado exigindo que você trabalhe aos dez anos não deve ser fácil, mas assim que Aristides ameaça machucar seu filho, Dona Lindu se aventura no mundo com todos eles sob a asa. Com a proteção de sua mãe, ele vai à escola, se torna um aluno excelente, e almeja sempre orgulhá-la, crescendo pra ser um homem importante.

Sabe aquela cena em Dois Filhos de Francisco, em que a mãe Dira Paes tenta fazer com que os filhos esqueçam da fome? Não existe uma cena assim em Lula, por mais que saibamos que na vida real ela existiu. Não existe nada assim no filme – pra quem diz que esse deveria ser o próximo Dois Filhos – nada que te faça dizer “nossa, que vida super difícil!”. Nem a cena da morte de sua esposa e seu filho segura emoção o suficiente pra que sintamos a força que o homem teve que ter pra seguir até ali.

O diretor, claro, tem alguns (poucos) momentos iluminados: quando Lula vai à fabrica como estagiário pela primeira vez, e suja seu macacão de óleo para mostrar à sua mãe que trabalhou, a que se segue uma troca intensa de olhares entre mãe e filho orgulhosos de si mesmos. Em nenhuma cena durante todo o filme dá pra ter uma ideia melhor de como cada pequena vitória era uma grande vitória, de como nunca na vida algum de nós entenderá essa sensação; assim como quando ele se forma no curso de torneiro mecânico do SENAI, e o orgulho da mãe transborda da tela (aliás, basicamente todas as cenas de Glória Pires. Ela definitivamente salva o filme).

Então, então o pior de tudo.

Não dá pra falar de Nelson Mandela sem falar da questão racial na África do Sul; não dá pra falar de Meryl Streep sem envolver sua importância no cinema mundialmente; não dá pra falar de Harvey Milk sem falar do movimento gay estadunidense. Claro que a importância de Lula é muito diferente das importâncias de qualquer um desses, mas o ponto é que a despolitização de todo o filme foi o maior desse festival de erros de Fábio Barreto.

Então Lula nem sabia o que eram sindicatos, achava que era só uma grande bagunça sem sentido. Daí sua esposa morre e ele resolve que precisa de algo pra ocupar a cabeça. Não é aquele orgulho do brasileiro que atravessou mares de espinhos sua vida toda, mas tinha uma consciência política tremenda, e cresceu tanto no movimento pelos direitos dos trabalhadores, enfrentou tanta propaganda contrária, que absolutamente mereceu o cargo que ocupa hoje. N-A-D-A disso.

O Lula do filme é um alienado sem ideologias, é o Lula como a direita prega que ele era: um cara que caiu de para-quedas no meio político, sem nenhuma formação anterior, que não merecia, nem queria, ocupar cargo publico algum, ligeiramente irresponsável.

COMO se descreve Lula sem falar da situação política em que ele cresceu? Então eu deveria acreditar que a ditadura tinha influência praticamente nula na história dele, que os piquetes de trabalhadores eram às vezes mais violentos que a própria ditadura (!!)? Então não aconteceu uma total mudança da imagem de Lula (inclusive em sua fase “sapo barbudo”, que eu nem identifiquei no filme)?

Eu, fã do presidente Lula, não gosto do Lula do filme.

E, exceto pela “troca de fotos” de que todo mundo já falou, em que o Lula criança se torna o Lula preso pelo DOPs, e uma cena sutil em que um guarda cantarola “Pra Frente Brasil” enquanto encara o homem humilde, a parte política do filme, que já é quase nula, se revela completamente enganosa e inútil.

Prum filme que só tem dois personagens (você nem se dá conta de que dona Lindu tem oito filhos, porque eles são simplesmente cenário. Lula é o inteligente, o esperto, o falador; e quando a mãe os coloca na escola, é por Lula que a professora vem até a casinha humilde deles. É Lula que dá o orgulho de se formar, é Lula que mora com ela até o fim… Outro deslize de Barreto, achar que outros personagens não contribuiriam pra formação do personagem Lula), até é entendível quem diz que o filme é sobre a mãe de Lula, e não sobre ele.

Mas o fato é que é sobre ele, sim: é uma tentativa de fazer a direita gostar dele, no momento mais inapropriado possível; é um filme comercial, que tenta fazer dinheiro com a imagem do homem mais popular do Brasil; e é um filme ruim.

Longe, muito longe de santificar o presidente ou fazer campanha pra ele (afinal que outro filme nacional é patrocinado exclusivamente por iniciativas privadas?), Lula tem algumas boas atuações (os Lulas criança, adolescente e adulto), uma atuação excelente (adivinha de quem?) e uma grande mentira como protagonista. Afinal, alguém acredita que Lula não era de esquerda?

Cinema, Petiscos Quase Quentes, Três Vassouras

UP – Altas Aventuras

postado por Felipe Andrade    em domingo, 17.01.10    às 1:45

Título Original: Up
País de Origem: EUA
Ano de Produção: 2009
Duração: 96 min
Gênero: Aventura / Animação
Direção: Pete Docter, Bob Peterson
Roteiro: Pete Docter, Bob Peterson, Thomas McCarthy
Elenco: Edward Asner, Christopher Plummer, Jordan Nagai, Bob Peterson, Delroy Lindo, John Ratzenberger

Primeiramente posso dizer que por ser um filme Pixar, não esperava nada menos do que esse filme foi… Quando uma amiga minha perguntou que filme era esse antes de nós entrarmos no cinema, eu disse:

- É da Pixar…

Aí ela disse:

- Sim! Mas que filme é esse?

E eu respondi:

- É DA PIXAR! Preciso dizer algo mais que isso?

E é exatamente isso que acontece. Os filmes da Pixar são os únicos filmes que vou para o cinema com a certeza de que vou sair satisfeito. Seus criadores, na minha humilde opinião, são os mais geniais do cinema moderno, pois a cada filme que eles fazem, eles se superam e criam coisas cada vez mais novas e inusitadas. E o inusitado está o tempo todo presente nesse filme, dirigido por Pete Docter e Bob Peterson (Os mesmos diretores de Monstros S.A.).

Se visualmente falando os críticos do mundo todo estavam esnobando da Pixar por criar um protagonista velho e ranzinza, dizendo que não venderia nem atrairia público, eles conseguiram transformar esse velho ranzinza em um dos personagens mais bonitos, simpáticos, tocantes e marcantes da história dos 10 filmes da empresa. Sua história é muito triste e ao mesmo tempo bela. Não há como explicar o que eu senti nos primeiros minutos do filme, quando é contada toda a história de vida de Carl Fredricksen (o tal velinho) sem nenhuma fala. Não porque não tinha o que falar, mas por não ter necessidade disso! As imagens pareciam ter fala, e foi genial como conseguiram contar a vida de uma pessoa de uma forma tão simples e ao mesmo tempo impactante. Não tinha dado nem 10 minutos de filme e já estava me sentindo triste por Carl. Pois enfim, a trama se desenvolve e somos apresentados à Russel, pequeno desbravador da natureza com apenas 8 anos que resolve ajudar Carl de alguma forma para conseguir um broche de ajuda ao idoso. Se a primeira imagem que você tem de Russel é que ele é apenas a criança engraçada e irritante da história, mais tarde também nos surpreendemos ao ver que até Russel tem mágoas e tristeza em sua vida. Mas voltando ao início, para fugir da obrigação de ir para um asilo, Carl faz sua casa voar atráves de balões de hélio, mas acaba levando Russel junto. O destino? América do Sul! Rumo ao Paraíso das Cachoeiras, uma terra perdida no tempo. A viagem dos sonhos dele e da falecida mulher, Ellie representada o filme todo pela casa em si. Carl em vários momentos conversa com a casa como se a esposa estivesse realmente presente. Pois enfim, a partir do momento que a viagem inicia, a trama começa a se desenvolver e só assistindo para ver o desfecho…

Quanto à comédia, é brilhantemente mesclada com o forte tom de drama da história na figura, não só de Russel, mas de Doug, o cachorro falante (ESQUILO!) e de Kevin, uma ave desconhecida que Russel encontra, acaba adotando e que ganha, no meio do filme, um papel muito importante na trama. A ação é constante durante toda a viagem até a America do Sul, e, nos cinemas, essa ação ainda tinha como atrativo o 3D que, apesar de não apresentar muitos objetos saltando para fora da tela, proporcionava uma enorme sensação de profundidade. Nas cenas em que personagens ficam pendurados a muitos metros de altura, tinhamos a sensação de que nós podíamos cair a qualquer momento junto com eles. Claro que, em DVD a diversão não é menor. Mas quem sabe em breve, com essas novas TV’s 3D nós não poderemos ver o filme nesse formato no conforto de casa? É uma grande possibilidade!

Quanto à mensagem do filme. Na minha opinião foi umas das mais bonitas até agora entre todos os filmes da Pixar, empatando principalmente com Procurando Nemo que também me marcou muito. Mas acho que o lado dramático da história ajuda a fazer a mensagem desse filme muito mais profunda do que o amor de um pai com um filho, pois o filme fala da vida, de sonhos, de frustrações, de amor, de amizade, de família. Coisas que, creio eu, estão presentes na vida de todos, principalmene na minha. Não foi surpresa quando eu me vi chorando como um bebê na cena em que Carl abre o álbum/diário da mulher e revê toda a sua vida. Me fez olhar a minha vida com outros olhos… E no final, mais uma vez chorei ao ver a amizade de avô e neto que Carl desenvolve com Russel, e que me emocionou muito. Essa foi a primeira vez que chorei em um filme Pixar!

Há coisas que não precisam ser ditas. E esse filme é a prova disso. A profundidade da mensagem da trama vai além do que é mostrado no filme. Qualquer pessoa consegue se identificar com os personagens e realmente acho esse o maior trunfo da Pixar. Todos os seus filmes são para nos passar algo de bom, de positivo, de bonito. Se você ainda não viu esse filme, eu ordeno (sim, isso é uma ordem) que você levante agora de onde quer que esteja sentado e vá procurar o DVD na loja ou locadora mais próxima, já que ele já saiu do cinema. Quando vi no cinema, fiquei alguns dias eufórico com tudo que UP trouxe pra mim em termos de emoção e deslumbramento quanto à qualidade da animação. Mesmo depois de ver várias vezes em casa, ainda me sinto como se estivesse vendo pela primeira vez. E fica a pergunta: Como é possível que a Pixar se supere mais uma vez agora? Esse ano chega Toy Story 3 aos cinemas, e depois Carros 2. Vai demorar um pouco para que tenhamos mais um filme com personagens e tramas novas, mas com certeza, essas continuações serão ainda melhores que os primeiros. Afinal, estamos falando da Pixar, dos seus gênios e de seu irresitível poder de atrair qualquer um para mundos onde aventuras, como UP, se tornam muito mais que aventuras…

Literatura, Petiscos Quase Quentes, Três Vassouras

Mau Começo

postado por pablojan    em sábado, 16.01.10    às 23:17

Subtítulo: Desventuras em Série (vol. 1)
Autor: Lemony Snicket
Tradutor: Carlos Sussekind
Ano: 2001
Editora: Companhia das Letras
Nº. de páginas: 148

Esta é uma resenha muito desagradável, pois vai tratar de um livro muito desprezível.

Para todos aqueles que acompanharam a série, ou leram algum dos treze livros dela, os adjetivos negativos e os infortúnios que afloram as páginas de Desventuras em Série não são novidades. Talvez a princípio, mas cedo ou tarde nos acostumamos com a má sorte que insiste em pairar sobre a cabeça dos irmãos Violet, Klaus e Sunny Baudelaire. Os três passam por maus bocados e entram em becos aparentemente sem saída enquanto o vilão, o temível Conde Olaf, mexe suas cordinhas e faz de tudo para tornar a vida deles um inferno.

Violet é a mais velha dos três com 14 anos; ela tem um talento nato para criar as mais diversas invenções. Quando ela amarra seu cabelo com uma fita para mantê-lo fora dos olhos seu cérebro funciona como engrenagens trabalhando em perfeita ordem. Klaus é o irmão do meio e tem 11 anos; o que ele mais gosta de fazer é ler. Já leu grande parte do acervo da imensa biblioteca da Mansão Baudelaire. Por fim, vem Sunny, que é apenas um bebê; seu passatempo favorito é morder coisas resistentes com seus quatro dentes afiados. Ela se comunica na língua dos bebês e, para que outras pessoas possam entendê-la, é necessário ter um dos seus irmãos por perto para traduzir. Esse é o perfil das personagens principais. Os talentos de cada um funcionam como um deux ex machina naquelas situações onde tudo parece estar perdido.

As desventuras dos irmãos Baudelaire começam com um incêndio que destrói sua mansão e leva a vida de seus pais. Um banqueiro e amigo da família chega para dar as más notícias para eles, que estavam numa praia na hora do incidente. Como crianças normais, os três ficam abalados e chegam até a pensar que tudo não passa de uma brincadeira de mau gosto. Infelizmente, Violet, Klaus e Sunny ficam órfãos e tornam-se herdeiros da grande fortuna deixada por seus pais. O banqueiro é responsável por tomar conta dessa fortuna até que Violet atinja a maioridade e possa administrar por conta própria o dinheiro, entretanto, os órfãos terão que morar com um tio distante no meio tempo. E é nesse momento que as vidas deles começam a ficar mais desagradáveis.

Conde Olaf é um homem alto e magro e de uma sobrancelha só. Ele é líder de uma trupe de artistas que representam peças de teatro. Ele vive numa casa fantasmagórica e repugnante: o novo lar dos irmãos Baudelaire. Olaf trabalha com afinco em prol da permanência da infelicidade na vida dos órfãos, além de criar planos malévolos para se apossar da fortuna. Acho que já falei demais da história, não?

Visivelmente, Desventuras em Série é destinada ao público infantil. O autor usa uma linguagem simples e engraçada para desenvolver suas histórias; em alguns pontos ele emprega palavras e expressões não tão corriqueiras, mas, logo em seguida, descreve seus significados. É uma forma interessante de se aumentar o vocabulário do leitor sem que este tenha que recorrer ao dicionário. E convenhamos que crianças não costumam ser fãs de dicionários, a não ser que a criança em questão seja Klaus Baudelaire. As ilustrações geralmente vêm nos começos dos capítulos e dão uma pista do que pode acontecer dali até o começo do próximo capítulo. São ilustrações interessantes e muito bem trabalhadas.

Não é por ser voltado para o público infantil que os adultos deixariam de ler essa série tão desagradável. O que quero ressaltar neste parágrafo é a ignorância que existe na mente de alguns pais que chegam a proibir seus filhos de ler os livros de Desventuras em Série. As crianças são maltratadas na história e o vilão é implacável e não tem dó das três crianças indefesas que ele trata com tanto escárnio. Além disso, a maioria dos adultos na história é representada como pessoas más ou pessoas boas e totalmente manipuláveis. Esse é o teor da história: infortúnio na vida de três crianças órfãs. O autor interage com o leitor em diversas páginas declarando que, todo aquele que não gosta de história com finais tristes e trágicos deveria fechar o livro e ler um conto de fadas. E o mais engraçado é que é verdade. Entretanto, pode-se ver Desventuras em Série como uma história interessante, cheia de mistérios e bem educativa. Os pais deveriam saber educar seus filhos e guiá-los enquanto leem os livros da série. As crianças são espertas e sabem diferenciar o certo do errado até melhor do que muitos adultos. Desventuras em Série reforça esse ponto essencial que deve fazer parte da personalidade das pessoas ao mostrar que, mesmo cercados por gente má ou que não vá ajudá-los, os irmãos não se deixam influenciar e não se vingam. Elas não se tornam vis e estão sempre trabalhando em equipe, reforçando o espírito de união familiar apesar das complicações. São esses os pontos que muitos pais não vêm ou não querem ver.

Por mais que os órfãos Baudelaire sofram, é possível passar bons (porém, breves) momentos com eles e acompanhá-los nas várias situações difíceis onde eles devem unir forças e conhecimentos para derrotar os planos de Olaf. Os irmãos são inteligentes e muito educados e buscam, apenas, um final feliz. Mau Começo acaba sendo um bom começo para essa série tão perspicaz. Alguns dos livros posteriores são ligeiramente maçantes e repetitivos quanto ao desenrolar da história, como se eles fossem seguir determinado padrão até o fim. Porém, como numa súbita guinada, mistérios surgem e tudo vai ficando mais e mais interessante. Situada num universo muito parecido com a Inglaterra dos anos 30, essa história é encantadora e, sinto dizer… muito, muito, muito desagradável.

Cinema, Sobremesas Geladas, Três Vassouras

Conta Comigo

postado por dyegogomes    em terça-feira, 12.01.10    às 0:01

Título Original: Stand By Me
Ano: 1986
Duração: 89 minutos
País: Estados Unidos
Elenco: Wil Wheaton, River Phoenix, Corey Feldman, Jerry O’Connell, Kiefer Sutherland, Casey Siemaszko, Gary Riley, Bradley Gregg.
Direção: Bob Reier

Baseado no conto The Body, de Stephen King, o filme Conta Comigo conta a história de quarto jovens amigos que vivem na pacata cidade interiorana de Castle Rock, no estado de Oregon, Estados Unidos.

Gordie Lachance, agora já adulto, trabalha como escritor e narra a aventura que ele e seus amigos de infância, Chris, Teddy e Vern viveram quando ele tinha doze anos de idade. O grupo de jovens toma conhecimento do desaparecimento de um adolescente, e decide viajar em busca do corpo do jovem. Os quatro acreditam que se encontrarem o corpo desaparecido, a pequena cidade onde vivem os transformará em heróis.

Os quatro amigos, todos com personalidades fortes e alguns problemas em casa, partem em uma viagem que dura dois dias e, ao longo dessa jornada, os amigos passam por todos os tipos de provação, mostrando que devem ficar unidos o máximo possível para chegarem bem ao fim da jornada. Essa viagem funciona também como um período de auto-conhecimento para esses jovens, que acabam descobrindo seus medos, receios e alegrias, além da descoberta do valor da amizade.

Vale ressaltar também que alguns fatos da história remetem à vida do próprio autor Stephen King. A relação do protagonista com a morte do irmão mais velho, por exemplo, representa a relação que o autor teve com a morte do irmão, morto em um acidente de carro. Outro fato que possui relação com a vida pessoal de Stephen é a questão de o personagem principal ter se tornado um escritor famoso quando mais velho.

É um filme clássico, inúmeras vezes reprisado na TV durante a década de 1990, mais que vale ser assistido. O filme, indicado a vários prêmios (incluindo Oscar de Melhor Roteiro Adaptado), possui um roteiro bem feito, uma fotografia belíssima e uma trilha sonora marcante, fatores que contribuem para que esse filme se torne um clássico simples e tocante.

Cinema, Petiscos Quase Quentes, Três Vassouras

O Solista

postado por Mrs. Black    em segunda-feira, 11.01.10    às 20:15

Título Original: The Soloist
Ano: 2009
Direção: Joe Wright
Escritores: Steve Lopez, Susannah Grant
Elenco: Jamie Fox, Robert Downey Jr, Catherine Keener
País: Inglaterra

Pra começar quero dizer que não sou muito fã de grandes dramas e grandes histórias de vida a exemplo de “A procura da Felicidade” e “Sete vidas” que apesar de uma história bonita achei parado demais e chato. Mas “O Solista” me comoveu então vamos ao resumo rápido.

Steve Lopez, colunista do jornal Los Angeles Times, está à procura de novas idéias para sua próxima coluna quando certo dia ele conhece um mendigo com problemas mentais que toca, aos pés da estátua de Beethoven, um violino velho de apenas duas cordas. Impressionado Lopez procura entender como uma pessoa com tanto talento acaba indo parar nas ruas. A partir dai ele vê no mendigo o alvo pra sua próxima coluna. Sendo assim ele procura informações sobre parentes e sobre o passado de Nathaniel Ayres e acaba por descobrir a história de um ex- aluno da escola de música Julliard, que tocava violoncelo quando era criança, mas quando foi parar nas ruas de Los Angeles passou a tocar violino.

A história, na qual seria apenas mais uma coluna de um jornal, conquista o próprio autor, Lopez acaba se tornando amigo do músico e passa o filme tentando ajudá-lo a ter uma carreira e desenvolver as habilidades dele como músico. Além disso, em uma noite enquanto ele vê Nathaniel adormecer numa cama improvisada no chão ao lado de ratos, acaba se vendo de perto a dura realidade dos moradores de rua em meio às drogas e a violência.

Além da história baseada em fatos reais contada pelo próprio Steve Lopez em um livro ser muito bonita a escolha dos atores também foi bem feita.

Confesso que a único filme que eu assisti com o Downey Jr foi Homem de Ferro, um filme com muito mais ação e efeitos especiais que acabam por deixar de lado a interpretação do ator. Depois de assistir “O Solista” acabei por descobrir o talento por trás do Homem de Ferro. O ator transmite claramente o envolvimento que Lopez teve com a história de Nathaniel, além de trazer um lado engraçado em determinadas cenas.

Quanto a Jamie Fox, uma vez consagrado com o Oscar de melhor ator na sua interpretação de Ray Charles, prova mais uma vez que deveria largar sua carreira de cantor e se dedicar inteiramente à de ator. Fox demonstra perfeitamente a emoção do personagem a cada acorde e a paixão forte pela música que Nathaniel tem.

O filme dirigido por Joe Wright (Desejo e Reparação) é conduzido de forma brilhante ao demonstrar a história de vida do músico e o quanto Steve Lopez se envolve pra ajudar o novo amigo.

No Brasil, lançado no inicio de novembro do ano passado, “O Solista“ acabou tendo seu brilho ofuscado pelo furor do lançamento de “Lua Nova” que estava por vir, além do fenômeno “Avatar” que também seria lançado em breve, então acabou não abocanhando grandes bilheterias nem sendo muito comentado. Pra mim é um drama bonito sem ser clichê e que vale a pena ser conferido.

Cinema, Três Vassouras

Um Sherlock Holmes de muitos músculos

postado por Luciana Barbosa    em segunda-feira, 11.01.10    às 11:22

Título Original: Sherlock Holmes
Ano de Lançamento: 2010
Direção: Guy Ritchie
Elenco: Robert Downey Jr, Jude Law, Rachel McAdams, Mark Strong, Kelly Reilly.

Há alguns anos contraí o vício de ler e reler as histórias sobre o ilustre “investigador conselheiro” Sherlock Holmes e seu fiel companheiro Dr. Watson. Até passei por uma fase curta onde tentei pôr em prática as teorias da Ciência da Dedução de nosso caro detetive. Nem é necessário dizer que não obtive sucesso, não é verdade? Não tenho um quinto da sagacidade da mente de Holmes e nem chego perto de seu vastíssimo conhecimento de cultura e ciência em geral. Nos últimos dias, fui surpreendida com o trailer de “Sherlock Holmes” e confesso que esse primeiro contato não me causou boa impressão.

O Holmes que conhecemos é magrelo, tem aquele nariz adunco e o velho jeitão britânico. A personagem criada por Sir Arthur Conan Doyle não tem a sensualidade do Robert Downey Jr. É claro que eu estava carente de mais uma adaptação para o cinema, mas não estava disposta a encarar o clima exagerado de ação que o trailer prometia. Parecia fugir muito do que estamos acostumados a ver nos diários de Watson. Fui ao cinema com um pé atrás e me surpreendi. A modernizada que conferiram às personagens não pesou tanto e a coisa toda funcionou harmoniosamente.

Mais uma vez cheguei à conclusão de que não podemos ficar tão presos aos textos. Se a adaptação mantém a atmosfera e características gerais do texto, por que não inovar? O Holmes ficou bem com os músculos e piadas rápidas. Além disso, o filme mantém o detetive dependente de seus casos e mostra de maneira bem-humorada as crises que esse tem nos intervalos entre uma investigação e outra. É claro que cortaram a parte da cocaína (não seria bom comercialmente falando), que foi substituída por garrafas e mais garrafas de bebida.

Os métodos investigativos de Holmes foram bem retratados. O filme conseguiu levar para o cinema a engenhosidade da mente sherlockiana, com toda sua rapidez em processar os dados, acessar um rico acervo mental e devolver tudo em ações bem planejadas. Ah, o apreço do detetive pela música também não ficou de fora.

Quanto ao Dr. Watson, interpretado por Jude Law, também não tenho do que reclamar. O filme mostra sua tremenda admiração pelo amigo detetive, assim como nos textos do Cânone sherlockiano. Também no filme a admiração por Holmes, seus casos e métodos são o combustível que arrasta o médico para as aventuras. E a mãozinha que o Dr. Watson dá para o Holmes nos momentos depressivos também foi parar nas telonas.

Em suma, é o Sherlock Holmes que gerações e gerações de leitores tanto amam, mas com uma repaginada. Baseado na História em quadrinhos da autoria de Lionel Wigram, “Sherlock Holmes”, dirigido por Guy Ritchie, traz um Holmes mais físico e brigão, mas nem por isso com menos massa cefálica. Que venha a seqüência!

Cinema, Petiscos Quase Quentes, Três Vassouras

Arraste-me para o Inferno – Terror?

postado por kadichari    em domingo, 10.01.10    às 1:47

Título Original: Drag Me To Hell
Ano de Lançamento: 2009
Direção: Sam Raimi
Elenco: Justin Long, Alison Lohman, Lorna Raver, Dileep Rao, David Paymer, Adriana Bazarra.

Mesmo para um filme com um nome tão sugestivamente trash (a adaptação pro português conseguiu, claro, como quase sempre, ficar pior – Arraste-me Para o Inferno meio que já te avisa o que está por vir, né?), juro que esperava mais de Drag Me To Hell.

Primeiro que, sem noção alguma da história do filme, e vendo apenas as imagens dos encontros da Sra. Ganush – com quem eu até simpatizei, pra falar a verdade. Mocinha odiável aquela Christine, pelamor – com a dita heroína, Christine Brown, a impressão que eu tinha era que ela – a Sra. Ganush – era o demônio a que se refere o filme.

Aliás, antes de desenvolver isso, um resumo básico da história: Christine é uma corretora de empréstimos num banco, que está quase conseguindo uma promoção. Pra ficar bem com seu chefe, nega uma extensão dum empréstimo à Sra. Ganush. Claro que a cvelha nojenta era uma cigana que amaldiçoa a loira, pondo em seu caminho um demônio que a perturbará por três dias e depois virá levar sua alma diretamente para o inferno.

Pois bem. Antes de qualquer coisa: quão imensamente desnecessário era tornar a Sra. Ganush uma espécie de morto-vivo, um quase cadáver, que tosse catarro num lenço e logo depois retira as dentaduras com fios marrons de saliva para chupar da maneira mais barulhenta possível uma bala qualquer? Só eu senti um quê de preconceito contra os gipsies? (Por que sim, todos os ciganos no filme são algo parecido.)

Quando se conhece o final do filme (que eu estou morrendo de vontade de revelar e fazer todo mundo desistir do terrorzinho logo, mas não vou), essa impressão se estabelece com ainda mais força; a idéia é de que sim, Christine é uma egoístazinha que NÃO deve levar razão na história, mas ainda assim, como que a gente fica com raiva da loira bonitinha que desprezou a velha nojenta que nem limpar as unhas limpava?

Falando em coisas desnecessárias; a primeira cena de ‘luta’ – eu diria que a cena que verdadeiramente nos apresenta a sra. Ganush como a velha idiota, a errada da história – uma cena dentro do carro da protagonista, dentro dum estacionamento vazio (exceto por dois outros carros, que, claro, no meio da luta angustiante, pés incontroláveis no acelerador, são AMBOS atingidos pelo primeiro), é uma injustificável sequência de violência verbal e física entre as duas: tapas, pontapés, olhos grampeados… Opa, a sra. Ganush leva um soco que arranca sua dentadura. O que ela faz? Segura Christine enquanto procura pelos dentes para mordê-la com raiva? Chora humilhada? Dá um soco de volta? Queria eu.

Ela inexplicavelmente se joga em cima da outra e começa e chupar o seu queixo.

Eu até teria suportado tal cena abominável, se logo após não tivesse descoberto que o que a cigana precisava – tudo o que ela queria, afinal – era roubar um botão da roupa da mocinha, para amaldiçoá-lo.

Veja bem; ela só precisava amaldiçoar um botão e sua vingança estaria completa. Chupar o rosto da outra ou tentar enforcá-la absolutamente não faziam parte do ritual, só serviam – mais uma vez – para nos fazer gostar da menininha que queria um salário maior e humilhou a velha nojenta, pra justificar que achássemos a cigana o ser mais insignificante e mau – ah, que cigana má – da história.

E isso deve ser o quê, os primeiros vinte minutos de filme?

É.

Antes de pular para quando a podre -opa- a pobre corretora começa a ser atormentada pelo espírito mau, preciso comentar a sideline story do início do filme, e que teoricamente deveria ter alguma correspondência óbvia – pelo menos o suficiente para que o espectador pudesse fazer um link pra situação atual, da corretora – em que um menino é atormentado pelo mesmo espírito, vai para uma “exorcista” e não consegue ser salvo. Bem, a explicação dada para que o espírito estivesse atrás dele é que ele “roubou um colar de prata de um grupo de ciganos”. Espera, mas o espírito não começava a te perseguir quando um cigano malvado amaldiçoasse algo seu?

Talvez, se eu parar para pensar, alguma explicação de como as histórias se relacionam me venha à cabeça. Mas, além de que esse tipo de coisa, principalmente em filmes de terror, mais sobrecarregados que outros tipos, devia ficar claro; o filme não me cativou o suficiente, desculpem, para me fazer pensar nisso.

Inicialmente, eu relacionei a colar de prata com a moeda de prata que ela dá para o namorado; mas claro que essa idéia se dissolve rapidamente. Mas a moeda, ah… O ênfase nela foi tão nada sutil que fica absolutamente impossível não achar o final absolutamente previsível.

Agora. Talvez, mesmo com toda a previsibilidade e as incoerências preconceituosas, talvez houvesse algo a se levar a sério ali. Um pouquinho da história era engolível. Mas o filme absolutamente NÃO convence. O personagem mais verdadeiro ali foi o ‘vidente’, e só porque ele explora a garota e não lhe dá muitas esperanças.

Logo no primeiro dia de “possuída”, a louca jorra sangue bela boca e pelo nariz, como um esguicho, em cima do chefe, e simplesmente diz “não estou me sentindo bem” e vai embora, enquanto o chefe se preocupa com o sangue que pode ter entrado em contato com alguma de suas mucosas.

Tipo. Não sei vocês, mas eu acho que se alguém jorrasse sangue em mim eu ficaria mais preocupada com a pessoa que com minha roupa manchada.

A isso se segue, entre outras coisas, a uma visita da desesperada no vidente que diz que ela poderia sacrificar um animal para o demônio, de modo que ele desistisse dela. Absurdamente abismada, Christine lança um revoltadíssimo “Eu sou vegetariana! Amo animais, não vou sair por aí matando nada!!”

Claro, em uns cinco minutos o demônio dá uns tapas nela e ela mata o gatinho de estimação.

E claro, não funciona. A essa altura o demônio já está ganhando da garota. Ela se desespera. Paga uma espécie de exorcista – a-rá! A mesma exorcista do garoto do início da história. Sabia que aquilo não estava lá por acaso!

E então… O clímax do filme é o mais anti-clímax possível.

Só posso dizer que há um bode e uma cova aberta na chuva. Daqui não passo. É por sua conta e risco.

Cinema, Petiscos Quase Quentes, Três Vassouras

Star Trek

postado por Felipe Andrade    em domingo, 10.01.10    às 1:21

Título Original: Star Trek
País e ano de Produção: EUA, 2009
Duração: 126 min
Gênero: Aventura / Ficção científica
Direção: J.J. Abrams
Roteiro: Roberto Orci, Alex Kurtzman
Elenco: Chris Pine, Zachary Quinto, Simon Pegg, Eric Bana, Karl Urban, Amanda Grayson, Zoë Saldana

“Espaço, a fronteira final. Estas são as viagens da nave estelar Enterprise em sua missão em busca de estranhos novos mundos, pesquisando novas vidas e novas civilizações. Audaciosamente indo aonde nenhum homem jamais esteve.”

Esse trecho não é muito famoso entre os jovens como eu. Na verdade, se eu já havia ouvido ou lido, não me recordava até assistir pela primeira vez Star Trek ano passado. O filme, que conquistou rapidamente o posto de um dos favoritos blockbusters do ano, é um renascimento da famosa série Jornada nas Estrelas, que já teve várias temporadas na televisão e muitos filmes. Muito se falou sobre como aconteceria esse renascimento da saga e sobre como J.J. Abrams, o diretor, traria de volta todo esse universo incrível às telas. E o que ele fez foi algo que gerou contentamento, tanto com os novos espectadores, quanto com muitos dos fãs que tanto estavam especulando sobre o filme.

Posso dizer que Star Trek é um novo começo. J.J. Abrams e os roteiristas Alex Kurtzman e Roberto Orci simplesmente criaram uma desculpa (muito boa) para explicar os rostos diferentes e jovens para os personagens: Realidades Paralelas. Confuso? É muito simples. Eles introduziram na mitologia da série o conceito de que muitas dimensões e realidades coexistem de forma harmoniosa, com tempos, universos e histórias diferentes. Ainda confuso? Exemplo: Você está lendo essa resenha aqui agora, porém, em outra dimensão, outro você pode ainda estar nascendo! Super nerd não? Nada melhor para um filme que, assim como Star Wars e outros filmes de ficção científica, é objeto de adoração por nerds do mundo todo. Quem já assistiu a série The Big Bang Theory, a fonte de humor nerd da atualidade, sabe que todos os personagens amam a saga e a adoram como uma religião.

A história começa quando Spock, ainda vivido pelo venerado Leonard Nimoy que vivia o personagem na série original, retorna ao passado por acidente junto com o vilão romulano Nero (Eric Bana) que busca vingança contra os vulcanos, raça a que Spock pertence. Com o perigo eminente da destruição de Vulcano, cabe a tripulação recém formada da Enterprise impedir o vilão, ajudando assim o já velho Spock. Nessa nova tripulação, James Kirk é vivido por Chris Pine de forma extremamente expressiva. Todas as suas cenas, tanto de humor (são muitas), de ação ou de emoção são bem balanceadas e ele mostra realmente a que veio como capitão da Enterprise. Como seus fiéis amigos vemos McCoy e Spock (o ainda jovem), interpretados por Karl Urban e Zachary Quinto (Sylar, de Heroes), respectivamente. Seus papéis são muito interessantes, assim como o de todos os outros membros da tripulação. Destaque para Uhura, vivida pela linda Zoë Saldana, que está ganhando maior destaque agora com seu papel em Avatar, mas que já tem mostrado ser uma atriz muito boa para os mais variados papéis.

Clichês da série aparecem aos poucos na trama, causando arrepios até para quem pouco conhece, como eu. Qual nerd nunca ouviu a famosa frase “Vida Longa e Próspera”, cumprimento usado por Spock? E clichês como esse se tornam úteis para atualizar o filme para os novos expectadores. Um exemplo disso é a cena em que o Spock velho e o novo se encontram e que, ao meu ver, simboliza uma espécie de rito de passagem tanto para os atores quanto para os personagens.

Os efeitos especiais são os melhores que a série já viu. O filme já começa com um show de cores impressionante, quando somos jogados no meio de uma batalha no espaço. A fotografia é moderna e ao mesmo tempo de ótima qualidade, o que só deixa o filme visualmente ainda mais belo. O roteiro bem estruturado não deixa tempo para descanso nas nossas mentes, se não estamos rindo com alguma cena engraçada, estamos empolgados com alguma cena de ação mirabolante ou então absorvendo alguma informação importante para a trama. Se o filme tem algum defeito grande, ele é ofuscado pela qualidade do resultado que vemos na tela.

Star Trek é um filme ousado que, mesmo um ano depois de lançado, ainda gera comentários entre os Trekkers (assim são chamados os fãs da saga). J.J. Abrams, conseguiu com triunfo construir uma história consistente e divertida, mesmo ao mexer com viagens do tempo e dimensões paralelas – temas que geram extrema confusão nas séries e filmes em geral. Com esse novo começo para a  tripulação da Enterprise, muitas fronteiras são abertas para muitas outras jornadas que poderemos acompanhar em breve ao lado da tripulação. A série já é velha. Mas parece que estamos apenas começando a nossa jornada nesse universo incrível.

Literatura, Sobremesas Geladas, Três Vassouras

O Conto da Ilha Desconhecida

postado por pablojan    em sexta-feira, 8.01.10    às 0:01

Autor: José Saramago
Ano: 1998
Editora: Companhia das Letras
Nº. de páginas: 64

“Um homem foi bater à porta do rei e disse-lhe, Dá-me um barco”. Essas são as palavras iniciais desse conto que vem no formato de um pequeno livro, mas que possui uma grande mensagem por trás.

O Conto da Ilha Desconhecida narra a história de um homem que pede a um rei um barco para ir atrás de uma ilha desconhecida. Uma ilha que homem algum jamais pisou o pé. O homem é obstinado e, parado no batente de uma das várias portas do castelo, insiste que o rei lhe dê um barco para seguir sua viagem. Após uma arguta argumentação com o rei, o homem consegue o que quer. Ele tem seu barco, mas nunca navegou na vida. Isso não é problema para ele. Em meio a tudo isso, o homem inspira a faxineira que trabalhava no castelo do rei. Ela toma a decisão de seguir o homem e ajudá-lo nessa busca. E assim a história se desenrola em poucas e pequenas páginas com ilustrações marcando o caminho.

Para quem não é familiarizado com o autor da obra em análise, ele é José Saramago. O português nascido em Ribatejo, uma província portuguesa, em 1922, foi ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1998. Ele é considerado um dos autores mais notáveis da literatura moderna e suas obras geralmente abordam questões da condição humana. Suas histórias frequentemente se lançam como um grande “e se…?”. E se isso fosse possível? E se isso acontecesse? Como as pessoas reagiriam? Como eu agiria? E com isso ele desenvolve suas tramas bem boladas baseadas em frases perspicazes e situações inusitadas. Saramago é um autor que sabe analisar a mente humana sob uma perspectiva única.

Costumeiramente, diz-se que as obras de Saramago não encontram um meio termo no gosto das pessoas: ou você gosta, ou você não gosta. Tal assertiva é fundamentada sobre diversos motivos, porém, o mais famoso é o modelo da escrita. Pontos de interrogação? Pontos de exclamação? Ponto e vírgula? Travessões introduzindo diálogos? Saramago não se atém a isso. Ele faz uso de somente duas formas básicas de pontuação: pontos finais e vírgulas. O fluxo do texto corre solto pelas páginas e a narrativa se mistura com os pensamentos dos personagens e, às vezes, do próprio autor. Há frases longas que podem ocupar até duas páginas. Para introduzir um diálogo ele usa uma vírgula e a primeira letra maiúscula na palavra logo depois dela. De início, é muito peculiar, mas, uma vez envolvido com a história, é possível acostumar-se rápido com a escrita.

Os personagens não possuem nomes, tampouco as cidades e os países. Não há datas específicas. O rei é o rei, o homem é o homem, a faxineira é a faxineira. A história poderia se passar em qualquer época, em qualquer lugar. Isso dá margem para a imaginação trabalhar mais livremente. Pode-se imaginar como quiser, na época que desejar.

Vale ressaltar que a gramática que vige nos livros é a de Portugal (isso a pedido do autor). Muitas palavras e expressões ficam estranhas em algumas frases, até porque nós, brasileiros, não estamos acostumados com elas. As construções gramaticais, no todo, soam bem diferentes também. Contudo, tudo isso acaba sendo interessante e os dicionários estão aí para esclarecer o significado de algumas palavras. Para todas as outras não encontradas, a internet está à disposição.

O livro em questão não foge aos costumes de escrita do autor, citados acima. É válido dar uma oportunidade e apreciar o conteúdo dessas 64 páginas. A história encanta e através de uma cortina de metáforas simples e bem boladas, podemos enxergar uma mensagem, também simples, mas valiosa  e sincera. As imagens que permeiam algumas páginas ilustram a história de uma forma diferente: não é algo direto, é metafórico. É preciso ir um pouco além para achar significados às aquarelas. Eu as interpretei de uma forma, você poderia interpretar de outra e nós dois poderíamos estar certos.

Eu não poderia falar mais dessa história sem entregá-la quase que totalmente. Para evitar que tal aconteça e finalizar esta resenha, poderia acrescentar que esse livro retrata o homem. Estamos constantemente buscando alguma coisa só que geralmente não sabemos por onde começar a procurar. Esse livro mostra um homem que aprendeu o caminho em busca de seu sonho: uma ilha desconhecida.

Cinema, Drinks Fumegantes, Três Vassouras

Contatos de 4º Grau

postado por Felipe Andrade    em quinta-feira, 7.01.10    às 0:41

No começo do filme, a atriz Milla Jovovich aparece na frente da câmera, se apresenta e diz que representará a psicóloga Abigail Tyler nos relatos de eventos ocorridos em Nome, no Alasca em 2000. Ela avisa logo de primeira que as imagens que serão mostradas são muito perturbadoras e que caberia a cada um de nós decidir se acreditaremos ou não no que veriamos. Sinceramente, com um começo desses, não tinha como eu já não ficar interessado no filme!

A história no geral fala dos tais eventos passados no Alasca, quando habitantes da tal pequena cidade começam a ter os mesmos sonhos e sintomas: acordam sempre às três da manhã extremamente angustiados e toda noite vêm uma coruja que constantemente os observa da janela. Quando os habitantes vão se consultar com Abigail ela descobre, através de hipnose, que o que estava causando aquilo tudo na cidade era uma espécie de força extraterrestre. Parece um tema batido, com pouca coisa para ser usado como artifício para assustar uma platéia, mas com a ajuda dos vídeos gravados pela doutora Abigail, o filme se torna muito perturbador.

Quando a introdução acaba, somos apresentados à verdadeira Abigail Tyler. Seu estado é, sem melhores palavras, assustador: a pele pálida, os olhos esbugalhados como os de uma coruja (que ironia) e aparência de uma mulher doente e debilitada. Ela está sendo entrevistada pelo diretor do filme Olatunde Osunsanmi. A história se desenrola de acordo com os relatos dela. Imagens de Milla Jovovich e da real Abigail são misturadas durante todo o filme para mostrar os perturbadores eventos que a doutora testemunhou em Nome.

Está curioso para saber que eventos são esses? Só assistindo para saber!  A técnica caseira usada no recente Atividade Paranormal e no famoso A Bruxa de Blair se mostra ainda mais eficiente em Contatos do 4º Grau, simplesmente porque somos avisados que são imagens verdadeiras. Pensar que tudo aquilo realmente pode ter acontecido (e ainda pode estar acontecendo) é algo muito assustador para se pensar. Confesso que a temática de seres extraterrestres invadindo a Terra me assusta desde que era pequeno. Filmes como Guerra dos Mundos, Sinais e ET – Extra Terrestre marcaram minha vida, cada um com seu jeito. Mas o meu medo nunca deixou de existir. Quando assisti esse filme, a sensação de insegurança e paranóia voltou durante os 100 minutos de filme.

Não posso negar que fiquei um pouco desconfiado da verdadeira doutora Abigail mostrada nos vídeos. Tiveram alguns momentos que pensei estar vendo uma atuação de uma atriz mesmo. A história dela e da sua família não se encaixou muito bem nos mistérios envolvendo a cidade, o que me deixou mais desconfiado. Porém, o realismo que alguns dos vídeos nos passa (como o gravado pelo carro da polícia) é quase incontestável. Talvez eu precise assistir de novo e pesquisar mais, já que tudo que procuro no Google sobre a doutora, me leva a dados apenas sobre o filme. Pode ser que essa seja apenas mais uma campanha viral para promover o filme ou então seja mais um caso abafado que veio a tona agora.

A questão é que o filme diverte e instiga até o mais descrente. Se você gosta de mistérios, de histórias alienígenas e coisas do tipo, Contatos de 4º Grau é um filme que recomendo com fervor. Ele parece uma espécie de relato feito por um daqueles sites sobre lendas urbanas. Porém, ao contrário de algumas dessas lendas, o filme nos mostra fatos muito mais reais e realmente acreditáveis. Como diz Milla Jovovich no início da história, cabe a cada um de nós decidir se acredita ou não. Mas citando um dado que nos é mostrado no meio do filme, 11 milhões de pessoas já viram ou presenciaram algo relacionado à extraterrestres. Não acham que é gente demais sofrendo da mesma loucura?

Cinema, Petiscos Quase Quentes, Três Vassouras

Quem quer ser um Milionário?

postado por dyegogomes    em terça-feira, 5.01.10    às 12:02

Título Original: Slumdog Millionaire
Ano: 2008
Direção: Danny Boyle
Elenco: Dev Patel, Freida Pinto, Madhur Mittal, Raj Jutshi
País: Inglaterra

Uma das grandes surpresas do cinema nos últimos anos, Quem Quer Ser um Milionário? é um filme simples, de história cativante e que não depende de efeitos visuais de última geração para conquistar um público fiel.

Baseado no livro Q and A, do autor Vikas Swarup, a história foca-se na participação do jovem Jamal Malik na versão indiana do programa Who Wants To Be A Millionaire? Jamal, que cresceu nas favelas de Mumbai, não possui qualquer grau de escolaridade e surpreende ao conseguir responder a todas as perguntas que lhe são feitas no programa.

Sob suspeitas de trapaça no jogo, o programa é encerrado prometendo uma continuação para o dia seguinte. Jamal cai em uma armadilha, é seqüestrado e torturado quando está deixando o programa.  O principal objetivo disso é que Jamal confesse algum tipo de fraude. O jovem é levado então para uma delegacia de polícia, onde é interrogado por um delegado.

Enquanto é interrogado, Jamal leva o espectador para dentro de sua história, que se confunde com a história da Índia moderna. A infância pobre, a morte da mãe, os conflitos religiosos existentes no país, vigaristas que visam o lucro explorando o trabalho de crianças, tudo isso é retratado de forma chocante e realista.

Ao longo da narrativa, somos apresentados a dois personagens de extrema importância para o desenrolar da história. O primeiro, Salim, é o irmão mais velho de Jamal, que desde pequeno sempre teve uma inclinação para o mundo do crime, tendo chegado à vida adulta trabalhando com um gângster. A segunda personagem, Latika, é o amor de Jamal, a garota que cresceu em meio a pobreza juntamente com os dois irmãos.

O roteiro simples, a bela fotografia e a trilha sonora que em alguns momentos mistura ritmos tipicamente indianos ao Hip Hop fazem dessa história um sucesso completo de público e crítica, fazendo com que o filme seja merecedor de todos os prêmios recebidos ao redor do mundo. Foram oito Oscars (incluindo o de melhor filme), sete prêmios BAFTA (British Academy Film Awards), quatro Globos de Ouro, além de prêmios dados pelos Sindicatos dos Produtores e dos Atores.

O filme é para ser visto e apreciado nos mínimos detalhes, se tornando uma obra do cinema indispensável a todos aqueles que desejam ter novas experiênicias cinematográficas.