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[Crítica] Primeira crítica nacional de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I

Filmes

O site SOS Hollywood publicou a primeira crítica brasileira de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I, filme que chega aos cinemas do mundo todo nesta sexta-feira (19). Fábio Barreto, crítico de cinema responsável pelo site, esteve em uma sessão especial em Los Angeles e nos conta suas impressões sobre o sétimo filme da série.

Nós da Potter Heaven não costumamos postar as inúmeras críticas que costumam surgir neste período que antecede a estréia dos filmes, até porque temos uma política bastante clara sobre spoilers, mas abrimos esta exceção por ser a primeira crítica nacional e, claro, ter o selo de qualidade Fábio Barreto.

Atenção, este texto contém spoilers leves!

Primeira crítica nacional de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I

Fábio M. Barreto – SOS Hollywood 15 de novembro de 2010

Primeira parte da conclusão de Harry Potter é porrada emocional!

Hollywood conhece bem suas regras e sabe segui-las. É um negócio lucrativo, capaz de resistir a crises e, até o momento, as grandes mudanças na tecnologia. Os estúdios de Los Angeles foram os responsáveis pela criação dos blockbusters, pelos grandes épicos e sabem o que entregar ao público, pois foram eles quem escolheram os elementos desse cenário lá atrás, quando os grandes épicos da MGM levavam nossos pais e avós ao cinema, um tempo em que ainda se vestia terno e chapéu no programão de domingo. A inspiração nos clássicos e na Bíblia abasteceu essa indústria antes da onda de originalidade dos blockbusters no finzinho dos anos 70, mas a ligação entre cinema e literatura nunca terminou. É mais seguro levar uma obra conhecida, e, normalmente, admirada aos cinemas do que criar algo totalmente novo. Vivemos um novo momento nesses ciclos hollywoodianos com as histórias e quadrinhos, mas também com as adaptações literárias. E elas são muitas. Entretanto, não é só ao sucesso inquestionável de Peter Jackson com O Senhor dos Anéis que essa dinâmica se construiu ao longo dos últimos dez anos, mas também a Harry Potter, assumidamente uma maçaroca cultural e literária montada por J.K. Rowling e que, depois de nove anos nos cinemas, inicia sua conclusão com Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1. É um filme evento, claro, mas David Yates faz uso do precedente aberto por Zack Snyder, em Watchmen – O Filme, e banca o diretor birrento ao ignorar as leis de Hollywood, seu formato “garantido” de sucesso e, no primeiro ato de sua conclusão, entregar um festival de atuações marcantes, com um ritmo próprio e, felizmente, despreocupado com as caraminholas inventadas pelos executivos do estúdio. Mais que conhecer sua indústria, Yates e Rowling sabem que têm público cativo, têm o interesse mundial nas mãos e, acima de tudo, têm a chance de mostrar que a dobradinha cinema & literatura só resulta numa adaptação fraca quando se pensa no dinheiro antes da qualidade.

Relembrar do final anticlimático de Harry Potter e o Enigna do Príncipe pode ser um primeiro passo na preparação para o clima de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 [HP7]. A queda de Dumbledore desintegrou qualquer resquício da bolha de segurança ao redor dos personagens, mas, de forma mais efetiva, lançou Harry, Ron e Hermione num mergulho sem volta em um mundo inseguro e regido pela morte. Medo deixou se ser uma preocupação. Na guerra, vida e morte são separadas por instantes ou um leve descuido; duas constantes aplicadas a uma família forjada à base de muita dor, perda e um futuro sombrio. Ele retornaria. Ele retornou e futuro é agora. E o agora, é o fim. O início melancólico de HP7 não engana e nem precisa de meias palavras para apresentar tanto sofrimento latente. Uma última olhada no quartinho embaixo do armário; um triste adeus a sua própria identidade; um olhar por uma janela estranha e nada reconfortante. Escolhas acertadas por conta do grande trunfo do longa: o público conhece demais os personagens e, logo de cara, já sente suas escolhas e mazelas. O sentimento brota logo de cara e não para nem por um instante ao longo das 2h26 de duração.

Clique aqui para ler o texto na íntegra.

Bruno Longbottom
está na Potter Heaven há cinco anos, e hoje é editor do site. Corvinal, Jornalista, Cinéfilo apaixonado, não vê testralhos e não sabe voar de vassoura. No twitter, é o @bmaranhas.

Comentários

2 comentários

Fábio M. Barreto
16 de novembro de 2010 às 21:22

Oi Bruno, obrigado por ter sido o único site ético na divulgação dessa crítica. :D

Pena que seu respeito não foi recompensado com centenas de comentários como os sites que fizeram copy/paste do texto.

Um abraço,
Fábio M. Barreto

Lu
25 de novembro de 2010 às 10:39

Crítica perfeita.